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Problemas Ortopédicos dos Cavalos Atletas - Saiba mais sobre a origem das afecções ortopédicas dos Equinos

Fatores Nutricionais

Em geral, os fatores nutricionais em doenças de desenvolvimento ortopédico estão relacionados com problemas metabólicos nos ossos, englobando-se numerosas anormalidades ortopédicas que ocorrem entre o nascimento até os 18 meses de idade.

As que mais se destacam são osteocondrose, osteocondrite dissecans, lesões císticas subecondrais, fisites (epifisites), contratura de tendão adquirida, malformação dos ossos cubóides do carpo e tarso (deformidade angular) e artrite juvenil.

Para o médico veterinário Luiz Américo de Carvalho, responsável técnico da Universidade do Cavalo, na Fazenda Chaparral, em Salto de Pirapora (SP), as manifestações clínicas da maioria dessas condições refletem-se no crescimento do sistema esquelético que não suporta os estresses impostos.

Existem, basicamente, três fatores envolvendo essas anormalidades: a Genética (conformação), o Meio Ambiente (trauma, exercício forçado) e a Nutrição.


"A deficiência nutricional, excesso ou desequilíbrio de nutrientes vão afetar adversamente os ossos e as cartilagens por causa das alterações na disponibilidade dos componentes da estrutura do esqueleto ou de enzimas e hormônios que controlam a síntese desses tecidos", aponta Luiz Américo.

A energia, ao lado da proteína, é o principal fator que influencia a média de crescimento do animal. Segundo o veterinário, existem, pelo menos, três preocupações quanto a influência da energia na doença de desenvolvimento ortopédico:

O crescimento rápido do animal coloca mais peso sobre o sistema esquelético prematuramente, assim aumentando o estresse sobre ossos imaturos;

As médias de crescimento mais rápido exigem concentrações mais altas de nutrientes indispensáveis à síntese dos tecidos;

Alta energia significa dietas glucogênicas também altas, que parecem alterar as secreções hormonais normais (insulina), triiodo tironina (T3), tiroxina (T4).

Luiz Américo explica que esses hormônios influenciam o crescimento e a maturação da célula da cartilagem. Restringir a entrada de energia em um cavalo em crescimento irá reduzir a média de crescimento do animal e baixar a necessidade do animal para outros nutrientes essenciais.

Embora a cartilagem seja composta primariamente de proteína, esta apresenta pouco ou nenhum efeito direto na doença de desenvolvimento ortopédico. "Mas tem um efeito indireto que afeta outros nutrientes requeridos para o desenvolvimento ótimo do crescimento animal", acrescenta.

Cálcio e fósforo são macrominerais essenciais para o crescimento e o desenvolvimento dos ossos em cavalos.

Em animais jovens, em fase de crescimento, a simples deficiência de cálcio resulta em raquitismo; em adultos, a doença é chamada osteomalácia. A falta da mineralização óssea também ocorre quando existe desequilíbrio entre o cálcio e o fósforo.

"A deficiência de cobre é causa mais comum para distúrbio do esqueleto em cavalos jovens. As lesões erosivas na cartilagem articular das articulações de potros são evitadas com a suplementação de cobre na ração", conclui Luiz Américo. De acordo com o veterinário, o desenvolvimento ósseo em animais em crescimento também é determinado pela vitamina A.


Principais Doenças Ortopédicas em Cavalos

Dentre as várias enfermidades relacionadas com problemas ortopédicos em eqüinos em crescimento, Luiz Américo menciona a seguir algumas das principais doenças:


Osteocondrite dissecans (OCD):
Doença metabólica de manutenção da cartilagem e de ossificação endocondral, resultando numa síndrome de doenças ósseas e articulares. As causas incluem o crescimento acelerado, traumatismo em cartilagens, má nutrição e desequilíbrio mineral. Não é comprovado o fator genético, mas parece haver uma tendência entre linhagens de crescimento rápido.

Fisite (Epifisite):
A osteocondrose do crescimento do disco metafisal é geralmente referido como fisite. Epifisite envolve um aumento de volume do disco de crescimento de certos ossos longos em animais jovens. As causas sugeridas incluem má nutrição, defeitos de conformação, falhas no crescimento do casco, mal posicionamento fetal e compressão do disco de crescimento.

Cisto ósseo subcondral:
Esta condição envolve grandes estruturas císticas radiolucentes que podem ocorrer em vários locais do corpo mas, particularmente, na articulação femurotibiapatelar. Sua patogenia não está completamente compreendida, mas eles podem surgir após traumatismo na cartilagem ou como resultado de uma lesão de osteocondrite. Os cistos podem surgir no ponto de sustentação do peso e os locais mais comuns são o côndilo distal medial do fêmur, a terceira falange, a escápula, o boleto e o carpo.

Má formação da vértebra cervical ("Woobler Syndrome"):
Nos eqüinos é caracterizada pela compressão da medula espinhal e disfunção neurológica. Lesões osteocondríticas tem sido vistas nas superfícies articulares como no carpo da vértebra dos discos em crescimento de cavalos com má formação vertebral cervical. Os sinais clínicos aparecem em potros entre 6 meses a 5 anos de idade. A estenose do canal vertebral resulta em mielopatia compressiva focal, sendo a principal lesão a desmielinazação. O prognóstico é reservado.

fonte: Revista Alimentação Animal - Número 17 - Jan/Mar/2000 www.bichoonline.com.br

Deformidade angular dos membros adquirida:
São defeitos esqueléticos que dão a porção distal de um membro um desvio lateral ou medial. A deformidade é congênita ou adquirida precocemente na vida neonatal. Tem sido implicados na condição, mal posicionamento in útero, hipotireoidismo, trauma, má conformação, frouxidão articular excessiva e ossificação endocondral defeituosa do carpo ou tarso e ossos longos. Ambos os membros dianteiros e traseiros podem ser atingidos quase sempre simultaneamente.

Contratura tendinosa:
É uma síndrome de distúrbios do tendão flexor, associada a alterações posturais e podais, claudicação e debilidade. Há causas congênitas e adquiridas. O mal posicionamento no útero, toxinas embrionárias e defeitos genéticos tem sido implicados como causadores da contratura dos membros em potros recém-nascidos. A dor pode surgir de fisites, osteocondrose, osteoartrite crônica ou ferimentos dos tecidos moles e infecções e pode induzir à retirada reflexa do membro com o encurtamento das unidades musculotendinosas. Erros nutricionais referentes a problemas associados ao crescimento ósseo estão intimamente relacionados a síndrome e devem ser cuidados como uma parte do tratamento.